Wi-Fi 7: Guia Definitivo da Nova Geração das Redes Wi-Fi Corporativas
A transformação digital continua acelerando a evolução das redes corporativas. Aplicações baseadas em inteligência artificial, análise de dados em tempo real, realidade aumentada, videoconferências em altíssima resolução, automação industrial e Internet das Coisas (IoT) elevaram significativamente os requisitos de desempenho das infraestruturas sem fio.
Embora o Wi-Fi 6 e o Wi-Fi 6E tenham introduzido importantes avanços em eficiência e capacidade, muitas organizações já começam a enfrentar novos desafios relacionados à densidade de dispositivos, latência e previsibilidade das comunicações. Em ambientes modernos, não basta oferecer altas velocidades; é necessário garantir conexões estáveis, com baixa latência e capacidade para atender milhares de dispositivos simultaneamente.
Foi para responder a esse cenário que surgiu o Wi-Fi 7, baseado no padrão IEEE 802.11be.
Mais do que um aumento de velocidade, o Wi-Fi 7 representa uma mudança na arquitetura das redes sem fio. Recursos como Multi-Link Operation (MLO), canais de 320 MHz, modulação 4096-QAM, Multi-RU e Preamble Puncturing tornam essa tecnologia capaz de oferecer comunicações mais rápidas, previsíveis e eficientes, mesmo em ambientes extremamente congestionados.
Neste guia, você entenderá como funciona o Wi-Fi 7, quais são suas principais tecnologias, em quais cenários ele faz diferença e quais cuidados devem ser considerados durante o planejamento de uma infraestrutura corporativa preparada para os próximos anos.
Índice
- O que é Wi-Fi 7
- Como funciona o IEEE 802.11be
- Principais tecnologias do Wi-Fi 7
- Multi-Link Operation (MLO)
- Canais de 320 MHz
- 4096-QAM
- Multi-RU
- Preamble Puncturing
- Comparação com Wi-Fi 6 e Wi-Fi 6E
- Aplicações corporativas
- Requisitos da infraestrutura
- Site Survey Wireless
- FAQ
O que é Wi-Fi 7?
O Wi-Fi 7 é a mais recente geração da tecnologia Wi-Fi desenvolvida pela Wi-Fi Alliance, baseada no padrão IEEE 802.11be Extremely High Throughput (EHT).
Seu principal objetivo é atender aplicações que exigem:
- throughput extremamente elevado;
- latência mínima;
- alta confiabilidade;
- grande número de dispositivos conectados;
- melhor utilização do espectro de rádio.
Ao contrário das gerações anteriores, que priorizaram principalmente ganhos incrementais de velocidade e eficiência, o Wi-Fi 7 introduz novos mecanismos capazes de alterar significativamente a forma como clientes e Access Points utilizam simultaneamente múltiplas bandas de frequência.
Principais objetivos do Wi-Fi 7
O IEEE 802.11be foi desenvolvido para oferecer melhorias em cinco pilares fundamentais:
- capacidade;
- desempenho;
- latência;
- previsibilidade;
- eficiência espectral.
Esses objetivos tornam o Wi-Fi 7 especialmente adequado para ambientes corporativos, hospitais, universidades, centros de distribuição, indústrias e aplicações de missão crítica.
Bandas suportadas
O Wi-Fi 7 opera nas três principais bandas de frequência:
| Banda | Aplicação |
|---|---|
| 2,4 GHz | Maior alcance e dispositivos IoT |
| 5 GHz | Alto desempenho para aplicações corporativas |
| 6 GHz | Maior capacidade e menor interferência |
A grande novidade é que essas bandas podem ser utilizadas simultaneamente por meio do Multi-Link Operation (MLO), recurso que será detalhado na próxima seção.
Por que o Wi-Fi 7 representa uma mudança de paradigma?
Nas gerações anteriores, cada dispositivo estabelecia sua comunicação utilizando apenas uma banda de frequência por vez.
No Wi-Fi 7, essa limitação deixa de existir.
Com o Multi-Link Operation, um notebook, smartphone ou equipamento industrial pode transmitir e receber dados simultaneamente pelas bandas de 5 GHz e 6 GHz, reduzindo a latência, aumentando a disponibilidade e melhorando significativamente a experiência do usuário.
Essa capacidade abre caminho para aplicações que anteriormente eram limitadas por gargalos da infraestrutura wireless.
Multi-Link Operation (MLO): a principal inovação do Wi-Fi 7
O Multi-Link Operation (MLO) é considerado o recurso mais importante introduzido pelo padrão IEEE 802.11be.
Até o Wi-Fi 6E, um dispositivo estabelecia sua conexão utilizando apenas uma banda por vez. Mesmo que fosse compatível com 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz, a comunicação ocorria por um único enlace (link) durante a transmissão.
O Wi-Fi 7 rompe essa limitação.
Com o MLO, um dispositivo pode utilizar múltiplos links simultaneamente, combinando diferentes bandas para aumentar o desempenho, reduzir a latência e melhorar a confiabilidade da conexão.
Na prática, isso significa que um notebook pode transmitir dados ao mesmo tempo pelas bandas de 5 GHz e 6 GHz, aproveitando o melhor de cada uma.
Como funciona o Multi-Link Operation?
Imagine uma rodovia com apenas uma faixa.
Mesmo sendo larga, existe um limite para a quantidade de veículos que conseguem trafegar ao mesmo tempo.
Agora imagine essa mesma rodovia com duas ou três faixas funcionando simultaneamente.
O tráfego torna-se muito mais eficiente.
É exatamente isso que acontece com o Wi-Fi 7.
Em vez de utilizar apenas um canal de comunicação, o dispositivo passa a trabalhar com múltiplos enlaces coordenados.
Fluxo simplificado:
Notebook Wi-Fi 7
│
┌──────┴────────┐
▼ ▼
5 GHz 6 GHz
└──────┬────────┘
▼
Access Point Wi-Fi 7Essa arquitetura oferece ganhos importantes para aplicações críticas.
Benefícios do MLO
O Multi-Link Operation proporciona diversas vantagens em comparação às gerações anteriores.
Maior throughput
Os dados podem ser distribuídos entre diferentes enlaces, aumentando a taxa efetiva de transmissão.
Menor latência
Se um enlace estiver congestionado, o tráfego pode ser direcionado automaticamente para outro.
Isso reduz atrasos perceptíveis em aplicações sensíveis.
Maior disponibilidade
Caso uma das bandas apresente interferência temporária, a comunicação continua utilizando os demais enlaces ativos.
Roaming mais eficiente
Embora o roaming continue dependendo do projeto da rede e de protocolos como 802.11k, 802.11v e 802.11r, o MLO contribui para conexões mais estáveis durante deslocamentos.
Modos de operação do MLO
O padrão IEEE 802.11be prevê diferentes formas de utilização do Multi-Link Operation.
Entre elas destacam-se:
Simultaneous Transmit and Receive (STR)
Nesse modo, transmissão e recepção podem ocorrer simultaneamente em múltiplos enlaces.
É o cenário de maior desempenho.
Enhanced Multi-Link Single Radio (EMLSR)
Permite aproveitar os benefícios do MLO mesmo em dispositivos que possuem restrições de hardware.
É especialmente útil para notebooks e dispositivos móveis.
Multi-Link Single Radio (MLSR)
Utiliza um único rádio alternando entre diferentes enlaces conforme as condições da rede.
Embora ofereça desempenho inferior ao STR, ainda proporciona ganhos relevantes de eficiência.
Canais de até 320 MHz
Outra inovação importante do Wi-Fi 7 é o suporte a canais de até 320 MHz.
Até o Wi-Fi 6E, a largura máxima era de 160 MHz.
Com o novo padrão, a capacidade teórica praticamente dobra.
| Tecnologia | Largura máxima do canal |
|---|---|
| Wi-Fi 5 | 160 MHz |
| Wi-Fi 6 | 160 MHz |
| Wi-Fi 6E | 160 MHz |
| Wi-Fi 7 | 320 MHz |
Isso aumenta significativamente a quantidade de dados que pode ser transmitida por unidade de tempo.
Entretanto, é importante destacar que canais de 320 MHz não serão a melhor escolha para todos os ambientes.
Quando utilizar 320 MHz?
Essa largura de canal é recomendada principalmente para:
- laboratórios;
- centros de pesquisa;
- aplicações multimídia de altíssima resolução;
- realidade virtual;
- inteligência artificial;
- ambientes com baixa ocupação do espectro.
Já em ambientes corporativos de alta densidade, muitas vezes é mais eficiente utilizar canais menores para aumentar a reutilização de frequência.
Essa decisão deve ser tomada durante o projeto de RF.
Modulação 4096-QAM
O Wi-Fi 7 também evolui na forma como os dados são codificados.
Enquanto o Wi-Fi 6 utiliza até 1024-QAM, o Wi-Fi 7 suporta 4096-QAM.
Isso permite transmitir uma quantidade maior de informação em cada símbolo.
| Tecnologia | Modulação máxima |
|---|---|
| Wi-Fi 5 | 256-QAM |
| Wi-Fi 6 | 1024-QAM |
| Wi-Fi 7 | 4096-QAM |
Na prática, isso resulta em maior throughput.
Entretanto, existe uma condição importante.
Para que a modulação 4096-QAM seja utilizada, o dispositivo precisa operar com uma excelente relação sinal-ruído (SNR).
Em outras palavras, esse ganho normalmente ocorre quando o cliente está relativamente próximo ao Access Point.
Multi-RU (Multi-Resource Units)
O OFDMA introduzido pelo Wi-Fi 6 permitiu dividir um canal em pequenas unidades chamadas Resource Units (RU).
O Wi-Fi 7 amplia esse conceito com o Multi-RU.
Agora um único cliente pode utilizar múltiplas Resource Units simultaneamente.
Isso melhora:
- eficiência do espectro;
- utilização do canal;
- desempenho para aplicações de alta demanda.
O resultado é uma distribuição mais inteligente dos recursos de rádio.
Preamble Puncturing
Em redes tradicionais, quando parte de um canal sofre interferência, muitas vezes todo o canal precisa ser descartado.
O Preamble Puncturing resolve esse problema.
A tecnologia permite ignorar apenas o trecho afetado pela interferência, mantendo o restante do canal em operação.
Os benefícios incluem:
- melhor aproveitamento do espectro;
- redução do desperdício de largura de banda;
- maior estabilidade em ambientes congestionados.
Esse recurso torna-se especialmente relevante quando são utilizados canais de grande largura, como 160 MHz ou 320 MHz.
Comparativo dos principais recursos
| Recurso | Wi-Fi 6 | Wi-Fi 6E | Wi-Fi 7 |
|---|---|---|---|
| OFDMA | ✔ | ✔ | ✔ |
| MU-MIMO | ✔ | ✔ | ✔ |
| BSS Coloring | ✔ | ✔ | ✔ |
| Target Wake Time | ✔ | ✔ | ✔ |
| Banda de 6 GHz | ✘ | ✔ | ✔ |
| Multi-Link Operation | ✘ | ✘ | ✔ |
| Multi-RU | ✘ | ✘ | ✔ |
| 4096-QAM | ✘ | ✘ | ✔ |
| Preamble Puncturing | ✘ | ✘ | ✔ |
| Canal de 320 MHz | ✘ | ✘ | ✔ |
Impacto real no ambiente corporativo
Embora as especificações técnicas impressionem, o verdadeiro diferencial do Wi-Fi 7 está na experiência prática.
Organizações que trabalham com aplicações críticas tendem a perceber ganhos importantes em:
- videoconferências em alta resolução;
- colaboração em tempo real;
- aplicações de Inteligência Artificial;
- virtualização de desktops (VDI);
- CAD e BIM;
- realidade aumentada e virtual;
- automação industrial;
- logística inteligente;
- análise de vídeo baseada em IA.
Além disso, o Wi-Fi 7 foi projetado pensando em um futuro onde milhares de dispositivos compartilharão a mesma infraestrutura wireless com exigências cada vez maiores de desempenho e previsibilidade.
Requisitos da infraestrutura para Wi-Fi 7
A adoção do Wi-Fi 7 vai muito além da substituição dos Access Points. Para aproveitar plenamente os recursos do padrão IEEE 802.11be, é necessário avaliar toda a infraestrutura da rede, incluindo switches, cabeamento, alimentação elétrica, autenticação e projeto de radiofrequência.
Em muitos projetos, o gargalo deixa de ser a rede sem fio e passa a ser a infraestrutura cabeada.
Por isso, antes de iniciar uma migração, é importante responder a algumas perguntas:
- A rede cabeada suporta velocidades superiores a 1 Gbps?
- Os switches possuem portas Multigigabit?
- Existe potência PoE suficiente para os novos Access Points?
- O backbone suporta o aumento do tráfego?
- O ambiente foi dimensionado para operar em 6 GHz?
Essas respostas influenciam diretamente o desempenho da nova rede.
Switches Multigigabit
Um Access Point Wi-Fi 7 pode oferecer velocidades agregadas muito superiores a 1 Gbps.
Se ele estiver conectado a uma porta Gigabit Ethernet convencional, esse enlace poderá se tornar o principal gargalo da infraestrutura.
Por esse motivo, fabricantes como HPE Aruba Networking, Cisco, Fortinet e Huawei recomendam o uso de switches com portas Multigigabit.
| Interface | Velocidade | Cenário recomendado |
|---|---|---|
| 1 GbE | 1 Gbps | Ambientes pequenos e baixa densidade |
| 2.5 GbE | 2,5 Gbps | Escritórios corporativos |
| 5 GbE | 5 Gbps | Alta densidade |
| 10 GbE | 10 Gbps | Grandes implantações e ambientes críticos |
Em projetos novos, a recomendação é utilizar switches preparados para Multigigabit, aumentando a vida útil da infraestrutura.
Alimentação PoE
Os Access Points Wi-Fi 7 possuem processadores mais potentes, múltiplos rádios e maior capacidade de processamento.
Consequentemente, o consumo de energia também aumenta.
Antes da implantação é importante verificar o orçamento PoE dos switches.
| Padrão | Potência máxima |
|---|---|
| IEEE 802.3af (PoE) | 15,4 W |
| IEEE 802.3at (PoE+) | 30 W |
| IEEE 802.3bt Tipo 3 | 60 W |
| IEEE 802.3bt Tipo 4 (PoE++) | 90 W |
Embora alguns Access Points operem com PoE+, diversos modelos topo de linha utilizam PoE++ para habilitar todos os recursos disponíveis.
Cabeamento estruturado
Outra dúvida recorrente é se será necessário substituir o cabeamento existente.
Na maioria dos casos:
- Categoria 5e pode suportar 2,5 GbE em distâncias adequadas;
- Categoria 6 atende grande parte dos projetos Multigigabit;
- Categoria 6A é recomendada para novas instalações e enlaces de até 10 GbE;
- Fibra óptica continua sendo a melhor opção para backbone e interligação entre switches.
A decisão depende da distância, do desempenho esperado e do planejamento de longo prazo.
Backbone da rede
Com o aumento da capacidade dos Access Points, o tráfego agregado também cresce.
Por isso, o backbone precisa acompanhar essa evolução.
Em redes corporativas modernas, é comum encontrar enlaces de:
- 10 GbE;
- 25 GbE;
- 40 GbE;
- 100 GbE.
Isso garante que múltiplos Access Points possam operar simultaneamente sem saturar a infraestrutura principal.
Segurança no Wi-Fi 7
O desempenho não deve ser o único foco da migração.
A segurança continua sendo um dos pilares fundamentais de qualquer rede corporativa.
As melhores práticas incluem:
- utilização de WPA3 Enterprise;
- autenticação IEEE 802.1X;
- integração com servidor RADIUS;
- autenticação por certificados digitais (EAP-TLS);
- Protected Management Frames (PMF);
- segmentação dinâmica por VLAN ou funções (Role-Based Access).
Essa arquitetura reduz significativamente o risco de acessos indevidos e está alinhada aos princípios de Zero Trust.
Aplicações do Wi-Fi 7 por segmento
Cada mercado possui necessidades específicas. O Wi-Fi 7 oferece benefícios diferentes conforme o perfil das aplicações.
Escritórios corporativos
Empresas que utilizam videoconferências, aplicações em nuvem e colaboração em tempo real se beneficiam da menor latência e da maior capacidade da rede.
Aplicações típicas
- Microsoft Teams;
- Zoom;
- Microsoft 365;
- VDI;
- telefonia IP.
Hospitais
Hospitais exigem disponibilidade contínua e baixa latência.
Além dos notebooks e smartphones, a infraestrutura atende:
- equipamentos biomédicos;
- tablets clínicos;
- sistemas de monitoramento;
- localização de ativos (RTLS);
- dispositivos IoT.
O Wi-Fi 7 melhora a previsibilidade da comunicação, aspecto essencial para ambientes de missão crítica.
Indústrias
Na Indústria 4.0, aplicações como robótica colaborativa, veículos autônomos (AGVs), sensores inteligentes e sistemas MES demandam redes cada vez mais rápidas e confiáveis.
O Wi-Fi 7 foi desenvolvido para atender esse cenário, oferecendo menor latência e maior estabilidade.
Logística e Centros de Distribuição
Centros logísticos dependem de mobilidade constante.
Coletores de dados, empilhadeiras inteligentes, leitores RFID e sistemas WMS exigem roaming eficiente e comunicação contínua.
A combinação de MLO e maior capacidade contribui para reduzir interrupções durante o deslocamento dos equipamentos.
Educação
Universidades e escolas concentram centenas ou milhares de dispositivos conectados simultaneamente.
Laboratórios, bibliotecas, salas de aula híbridas e auditórios podem aproveitar a maior capacidade do Wi-Fi 7 para suportar novas metodologias de ensino e aplicações multimídia.
Comparativo por segmento
| Segmento | Wi-Fi 6 | Wi-Fi 6E | Wi-Fi 7 |
|---|---|---|---|
| Escritórios | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Hospitais | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Universidades | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Hotéis | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Indústrias | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Logística | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Shopping Centers | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Centros de Convenções | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
A importância do Site Survey Wireless
A chegada do Wi-Fi 7 não elimina a necessidade de um projeto de RF bem elaborado. Pelo contrário, a utilização de recursos como MLO, canais de 320 MHz e da banda de 6 GHz torna o planejamento ainda mais importante.
Um Site Survey Wireless permite avaliar:
- cobertura em todas as bandas de frequência;
- capacidade por ambiente;
- relação sinal-ruído (SNR);
- interferências;
- planejamento de canais;
- potência de transmissão;
- comportamento do roaming;
- posicionamento ideal dos Access Points.
Além disso, a propagação do sinal em 6 GHz apresenta características diferentes das bandas tradicionais. Isso significa que projetos desenvolvidos para Wi-Fi 5 ou mesmo Wi-Fi 6 podem não oferecer o desempenho esperado quando reutilizados sem ajustes.
A realização de um Site Survey preditivo antes da implantação e de um Site Survey ativo após a instalação reduz riscos, evita retrabalho e garante que a infraestrutura aproveite todo o potencial do Wi-Fi 7.
Boas práticas para implantação
Para maximizar os benefícios do Wi-Fi 7, recomenda-se:
Planejamento
- Definir requisitos das aplicações.
- Dimensionar a quantidade de usuários simultâneos.
- Inventariar dispositivos compatíveis.
Projeto de RF
- Realizar Site Survey preditivo.
- Validar cobertura e capacidade.
- Planejar adequadamente os canais.
- Evitar sobreposição excessiva.
Infraestrutura
- Utilizar switches Multigigabit.
- Verificar orçamento PoE.
- Revisar o backbone.
- Atualizar firmware dos equipamentos.
Segurança
- Implementar WPA3 Enterprise.
- Utilizar autenticação 802.1X.
- Integrar a um servidor RADIUS.
- Adotar certificados digitais com EAP-TLS.
Erros comuns em projetos Wi-Fi 7
A adoção do Wi-Fi 7 representa um investimento estratégico para muitas organizações. Entretanto, diversos projetos não alcançam os resultados esperados devido a erros de planejamento e implementação.
Conhecer essas falhas ajuda a reduzir riscos e maximizar o retorno sobre o investimento.
Substituir apenas os Access Points
O erro mais comum é acreditar que a simples troca dos Access Points resolverá problemas de desempenho.
Na prática, diversos fatores influenciam a experiência dos usuários, como:
- infraestrutura cabeada;
- switches;
- potência PoE;
- planejamento de canais;
- cobertura;
- densidade de usuários;
- interferências.
Sem uma análise completa, a nova tecnologia dificilmente entregará todo o seu potencial.
Ignorar o Site Survey
Outro erro recorrente é reutilizar o mesmo projeto desenvolvido para Wi-Fi 5 ou Wi-Fi 6.
A banda de 6 GHz possui características diferentes de propagação e exige um novo estudo de cobertura e capacidade.
Sem um Site Survey adequado, podem ocorrer:
- áreas de sombra;
- baixa taxa de transmissão;
- roaming inadequado;
- excesso de interferências;
- utilização ineficiente dos canais.
Manter switches Gigabit em ambientes de alta capacidade
Embora um Access Point Wi-Fi 7 funcione conectado a uma porta Gigabit, esse enlace pode limitar significativamente o desempenho.
Em ambientes com grande concentração de usuários, recomenda-se utilizar portas 2,5 GbE, 5 GbE ou superiores.
Utilizar canais de 320 MHz em qualquer ambiente
Os canais de 320 MHz são um dos recursos mais conhecidos do Wi-Fi 7.
Entretanto, eles não representam a melhor escolha para todos os cenários.
Em ambientes corporativos de alta densidade, canais menores normalmente permitem maior reutilização do espectro e melhor desempenho global da rede.
Essa decisão deve ser baseada em um projeto de RF e não apenas nas especificações do equipamento.
Não revisar a política de segurança
Ao migrar para uma nova infraestrutura, é recomendável atualizar também a arquitetura de segurança.
Boas práticas incluem:
- WPA3 Enterprise;
- IEEE 802.1X;
- autenticação por certificados digitais (EAP-TLS);
- integração com servidor RADIUS;
- segmentação dinâmica por identidade;
- políticas de Zero Trust.
Checklist para implantação de Wi-Fi 7
Antes da entrada em produção, confirme os seguintes itens.
Planejamento
☐ Levantar requisitos das aplicações.
☐ Dimensionar a quantidade de usuários simultâneos.
☐ Identificar dispositivos compatíveis com Wi-Fi 7.
☐ Definir objetivos de cobertura e capacidade.
Projeto de RF
☐ Realizar Site Survey preditivo.
☐ Planejar adequadamente as bandas de 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz.
☐ Definir largura dos canais.
☐ Validar níveis de RSSI.
☐ Avaliar relação sinal-ruído (SNR).
☐ Executar Site Survey ativo após a implantação.
Infraestrutura
☐ Validar switches Multigigabit.
☐ Confirmar orçamento PoE.
☐ Revisar backbone óptico.
☐ Atualizar firmware dos equipamentos.
☐ Verificar compatibilidade dos clientes.
Segurança
☐ Implementar WPA3 Enterprise.
☐ Configurar autenticação IEEE 802.1X.
☐ Integrar ao servidor RADIUS.
☐ Utilizar certificados digitais.
☐ Habilitar Protected Management Frames.
Operação
☐ Validar roaming.
☐ Testar aplicações críticas.
☐ Monitorar utilização dos canais.
☐ Documentar toda a infraestrutura.
Conclusão
O Wi-Fi 7 representa um marco na evolução das redes sem fio corporativas. Mais do que oferecer velocidades superiores, o padrão IEEE 802.11be foi desenvolvido para atender às demandas de um mundo cada vez mais conectado, onde inteligência artificial, automação industrial, realidade aumentada, colaboração em tempo real e milhares de dispositivos IoT compartilham a mesma infraestrutura.
Recursos como Multi-Link Operation (MLO), Multi-RU, 4096-QAM, Preamble Puncturing e canais de até 320 MHz tornam o Wi-Fi 7 muito mais eficiente na utilização do espectro de rádio, reduzindo a latência e aumentando a capacidade da rede.
Entretanto, o sucesso de uma implantação depende de muito mais do que a escolha dos Access Points. É fundamental avaliar a infraestrutura cabeada, a capacidade dos switches, a alimentação PoE, a política de segurança e, principalmente, realizar um Site Survey Wireless completo para garantir cobertura, capacidade e desempenho.
Empresas que planejam corretamente essa evolução estarão preparadas para suportar as aplicações atuais e futuras, protegendo o investimento realizado e oferecendo uma experiência superior aos usuários.